
Tabela de Perda em Cabo Coaxial: Guia por Frequência e Tipo de Cabo [2026]
A perda em cabo coaxial aumenta com a frequência, o comprimento e a qualidade real da construção do cabo. Em termos práticos, cabos finos como RG-174 e LMR-100 sacrificam atenuação para ganhar flexibilidade e espaço, enquanto famílias como LMR-240 e LMR-400 reduzem fortemente a perda em links longos, backhaul RF e instalações exteriores, mas exigem mais raio de curvatura e maior controlo de terminação.
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Porque uma tabela de perda coaxial evita mais erros do que uma discussão genérica sobre "cabo bom"
Quando uma equipa diz que precisa de "um cabo coaxial de baixa perda", isso ainda não é uma especificação. É apenas uma intenção. O desempenho real depende de frequência, comprimento, impedância, tipo de dielétrico, blindagem, diâmetro do cabo e da qualidade da montagem coaxial completa, incluindo conector e processo. É por isso que uma tabela de perda por frequência e tipo de cabo é tão útil: ela obriga a discussão a sair do marketing e a entrar em números.
Em RF, telecom, instrumentação, vídeo e ligações de antena, a perda acumulada do cabo funciona como um imposto invisível sobre a potência útil do sistema. Se a perda sobe 3 dB, cerca de metade da potência disponível desaparece no caminho. Se o projeto depende de margens pequenas, como uma ligação LTE, um módulo GNSS, um rádio industrial ou uma estação remota, escolher mal o cabo pode destruir o budget sem nenhum defeito visível de montagem.
Para enquadrar o tema, vale rever os conceitos públicos de coaxial cable, decibel e insertion loss. Estes três conceitos explicam porque cabos mais finos e mais flexíveis tendem a perder mais sinal, e porque o mesmo cabo que parece aceitável a 100 MHz pode tornar-se caro em desempenho a 2.4 GHz ou 6 GHz.
"Na prática, eu não escolho cabo coaxial pelo nome comercial. Eu escolho pelo orçamento de perda permitido. Se o canal só tolera 2 dB no troço completo, um erro de 0.8 dB no cabo já comeu 40% da margem antes de olhar para conectores ou adaptação." — Hommer Zhao, Fundador & Especialista Técnico
Como ler esta tabela sem cair em falsas comparações
Antes da tabela, três avisos técnicos são importantes:
- Os valores abaixo são **típicos de mercado** e servem como referência de engenharia inicial. Podem variar por fabricante, construção exata, lote e temperatura.
- A unidade usada é **dB por 100 m**, porque facilita comparação entre famílias diferentes. Para converter para dB por metro, basta dividir por 100.
- A tabela compara cabos comuns de **50 ohm** e **75 ohm**. Não misture os dois num mesmo sistema sem intenção clara. Perda baixa não compensa um erro de impedância.
Se o seu projeto precisa de validação final, a comparação da tabela deve ser seguida por teste real da assembly em serviços de teste e revisão do desenho da montagem de cabos RF, porque a terminação pode degradar o resultado mais depressa do que o cabo nu em catálogo.
Tabela de perda em cabo coaxial por frequência e tipo de cabo
Valores típicos de atenuação a 20 °C, expressos em dB por 100 m:
| Tipo de cabo | Impedância | 100 MHz | 400 MHz | 1000 MHz | 2500 MHz | Onde costuma fazer sentido |
|---|---|---|---|---|---|---|
| RG-174 | 50 Ω | 22 | 46 | 73 | 118 | Pigtails curtos, espaço muito limitado, assemblies compactos |
| LMR-100 | 50 Ω | 13 | 28 | 45 | 72 | Cabos finos de RF curto, GPS, módulos compactos |
| RG-58 | 50 Ω | 11 | 22 | 36 | 58 | Teste, patch curto, rádio, instrumentação geral |
| LMR-195 | 50 Ω | 8 | 17 | 27 | 44 | Ligações médias com mais flexibilidade que LMR-240 |
| RG-6 | 75 Ω | 6 | 12 | 20 | 34 | Vídeo, distribuição 75 Ω, CCTV e broadband |
| RG-213 | 50 Ω | 6.6 | 13.5 | 22 | 37 | RF geral, potências maiores, distâncias médias |
| LMR-240 | 50 Ω | 5.6 | 11.5 | 31 | 52 | Bom equilíbrio entre perda, diâmetro e robustez |
| LMR-400 | 50 Ω | 3.9 | 8.1 | 22 | 41 | Links longos, antenas, telecom exterior, infraestrutura |
Esta tabela já mostra a lógica principal: quanto mais fino o cabo, maior tende a ser a perda. Mas o ponto útil não é decorar a hierarquia. O ponto útil é aplicar a hierarquia ao comprimento real do seu projeto.
Por exemplo, um cabo com 36 dB/100 m a 1000 MHz perde cerca de 3.6 dB em 10 m. Outro cabo com 22 dB/100 m na mesma frequência perde 2.2 dB em 10 m. A diferença é 1.4 dB, o que pode representar perto de 28% de potência adicional disponível no lado de receção. Em RF, essa diferença raramente é irrelevante.
Comparação prática por família de cabo
Nem sempre a melhor escolha é o cabo com menor perda absoluta. O que interessa é a combinação entre perda, espaço, flexibilidade, robustez e custo de industrialização.
| Família | Ponto forte | Compromisso principal | Faixa prática |
|---|---|---|---|
| RG-174 | Muito fino e flexível | Perda muito alta acima de 400 MHz | Pigtails muito curtos |
| LMR-100 | Compacto com desempenho melhor que RG-174 | Continua limitado para links mais longos | RF curto em módulos pequenos |
| RG-58 | Equilíbrio clássico e fácil de terminar | Perde demasiado em comprimentos médios a alta frequência | Teste, rádio, patch curto |
| LMR-195 | Passo intermédio útil | Ainda não é opção premium para links longos | Assemblies médios e portabilidade |
| RG-6 | Perda boa em 75 Ω | Não serve como substituto livre de 50 Ω | Vídeo e broadband |
| RG-213 | Robusto e estável | Mais espesso e pesado | RF geral e potência |
| LMR-240 | Boa perda com formato ainda manejável | Menos flexível que cabos finos | Instalação compacta com alguma distância |
| LMR-400 | Excelente baixa perda | Maior diâmetro, raio de curvatura e conectores maiores | Antenas, backhaul, links longos |
"Vejo muitos erros em equipas que comparam RG-58 com LMR-400 como se a única variável fosse atenuação. Na fábrica isso nunca é verdade. O diâmetro muda a traseira do conector, a força de crimpagem, o routing e até a ergonomia de montagem. Se o processo não acompanha, a tabela deixa de ser vantagem e vira retrabalho." — Hommer Zhao, Fundador & Especialista Técnico
O que muda quando a frequência sobe
À medida que a frequência aumenta, as perdas por condutor e dielétrico ficam mais relevantes. Em termos simples, o sinal passa a "pagar mais caro" para atravessar o mesmo metro de cabo. É por isso que decisões que parecem aceitáveis em VHF ficam frágeis em UHF, 2.4 GHz, 5.8 GHz ou bandas ainda mais altas.
Veja esta leitura rápida com 10 m de cabo:
| Tipo de cabo | 100 MHz em 10 m | 1000 MHz em 10 m | 2500 MHz em 10 m |
|---|---|---|---|
| RG-174 | 2.2 dB | 7.3 dB | 11.8 dB |
| RG-58 | 1.1 dB | 3.6 dB | 5.8 dB |
| LMR-240 | 0.56 dB | 3.1 dB | 5.2 dB |
| LMR-400 | 0.39 dB | 2.2 dB | 4.1 dB |
| RG-6 | 0.6 dB | 2.0 dB | 3.4 dB |
Isto mostra um erro clássico: escolher cabo olhando apenas para a banda baixa. Se o produto opera em múltiplas bandas, a seleção deve partir do pior caso. Um cabo que "passa" a 100 MHz pode inviabilizar completamente o canal a 2.4 GHz ou 5 GHz.
Também vale lembrar que a atenuação do catálogo não é a perda total da ligação. O sistema ainda soma:
- perda de inserção dos conectores
- degradação por VSWR e perda de retorno
- variação térmica
- tolerância de fabrico
- margem de envelhecimento em campo
Se a sua equipa está a escrever especificações de procurement, este é o momento certo para ligar a tabela ao guia de design de montagem de cabos e ao guia de conectores coaxiais. Cabo e conector devem ser escolhidos como sistema.
Como escolher o tipo certo sem sobre-especificar
Uma forma pragmática de decidir é passar por 5 perguntas:
- Qual é a frequência máxima real do sistema?
- Qual o comprimento elétrico total, incluindo slack e routing?
- O canal é de 50 Ω ou 75 Ω?
- Qual é a perda máxima aceitável em dB do troço?
- O produto precisa de flexibilidade, baixo peso ou instalação em campo?
Se a ligação for curta e o espaço for crítico, um cabo fino pode ser o melhor equilíbrio mesmo com maior atenuação. Se o canal for longo, exterior, sensível ou com pouca margem de ligação, a prioridade passa a ser perda baixa e estabilidade mecânica.
Um atalho útil é este:
- **RG-174 / LMR-100**: use apenas quando o ganho de compactação justificar a perda.
- **RG-58**: continua prático para patch cords, teste e assemblies curtas.
- **LMR-195 / LMR-240**: boas opções intermédias quando precisa baixar perda sem saltar logo para cabos muito rígidos.
- **RG-213 / LMR-400**: fazem mais sentido quando o link tem distância, potência ou exigência séria de RF.
- **RG-6**: é excelente em 75 Ω, mas não é um "substituto barato" para 50 Ω.
"Quando o comprimento ultrapassa 5 a 10 metros e a frequência já entrou na casa do GHz, eu peço à equipa para calcular a perda total antes de discutir preço por metro. É aqui que um cabo aparentemente barato custa caro, porque cada 1 dB perdido corrói rapidamente a margem de sistema." — Hommer Zhao, Fundador & Especialista Técnico
O que a tabela não mostra, mas a produção mostra todos os dias
A tabela ajuda na seleção do cabo, mas não fecha a engenharia da assembly. Em produção real, vários defeitos podem destruir o ganho que parecia garantido no datasheet:
- stripping fora da janela dimensional
- crimpagem com ferramental incorreto
- pin central mal posicionado
- mistura de conectores pensados para outro diâmetro
- esmagamento do dielétrico na traseira
- raio de curvatura abaixo do mínimo
- má vedação em ambiente exterior
É por isso que fornecedores sérios de montagem coaxial validam não só continuidade, mas também perda de inserção, VSWR/perda de retorno, isolamento e retenção. Quando o canal é crítico, medir apenas DC não é engenharia suficiente.
Se o seu conjunto inclui BNC, SMA, TNC, N-type, FAKRA ou outros conectores RF, a compatibilidade dimensional entre cabo e conector precisa de ficar travada logo na RFQ. A diferença entre um conjunto repetível e um conjunto instável quase nunca está na brochura; está no processo.
Erros comuns ao usar tabelas de perda coaxial
- **Comparar 50 Ω com 75 Ω sem contexto.**
- Um RG-6 pode parecer ótimo na tabela, mas isso não autoriza a troca direta num sistema de 50 Ω.
- **Ignorar o comprimento real instalado.**
- O desenho diz 3 m, mas o chicote final sai com 4.2 m após routing, folga e fixação.
- **Usar dados de baixa frequência para prever Wi-Fi, GNSS ou 5G.**
- O erro explode quando a banda sobe.
- **Assumir que o cabo domina toda a perda.**
- Em muitos assemblies, o conector e a terminação explicam uma parte importante do problema.
- **Comprar pelo menor preço por metro.**
- Quando a perda adicional obriga mais potência, mais ganho ou mais manutenção, o custo total piora.
Um bom pedido de cotação deve especificar frequência, comprimento, impedância, limites de perda, conector em cada ponta, ambiente e método de teste. Sem isso, a comparação de fornecedores fica superficial.
Conclusão: a melhor tabela é a que fecha a especificação
Uma tabela de perda em cabo coaxial não serve para eleger um "campeão universal". Ela serve para mostrar que cada família entrega um equilíbrio diferente entre perda, tamanho, flexibilidade e robustez. Em assemblies curtas e compactas, cabos finos ainda fazem sentido. Em ligações mais longas e exigentes, subir para LMR-240, RG-213 ou LMR-400 pode proteger vários dB de margem que depois seriam impossíveis de recuperar no resto do sistema.
Se o projeto envolve rádio, antenas, telecom, vídeo ou instrumentação, use a tabela como ponto de partida, não como veredito final. Depois feche a decisão com conector, routing, raio de curvatura, ambiente e plano de teste. É essa sequência que evita compras erradas, falhas intermitentes e assemblies que parecem corretas na bancada mas degradam no campo.
Na PCB Portugal, apoiamos seleção, montagem de cabos coaxiais, teste elétrico e RF e integração com cable assembly industrial. Se precisa validar RG-58, RG-213, RG-6, LMR-100, LMR-240 ou LMR-400 para o seu produto, fale connosco e analisamos o budget de perda, o conector e o processo antes de congelar a especificação.
FAQ
Qual é a melhor tabela de perda para escolher cabo coaxial? A melhor tabela é a que mostra a atenuação por frequência e deixa claro se os valores estão em dB por metro, dB por 100 m ou dB por 100 ft. Sem essa unidade, a comparação fica enganadora. Para engenharia séria, use sempre a unidade exata e depois converta para o comprimento real do seu projeto.
LMR-400 é sempre melhor do que LMR-240? Não. Em perda, o LMR-400 é normalmente melhor, mas exige mais espaço, conectores maiores e raio de curvatura superior. Se o projeto for compacto, móvel ou sujeito a routing apertado, o LMR-240 pode oferecer um compromisso melhor mesmo perdendo cerca de 9 dB por 100 m a mais na faixa de 1000 MHz.
RG-6 pode ser usado em sistemas de RF de 50 ohm? Tecnicamente pode transportar sinal, mas isso não significa que seja a escolha correta. RG-6 é um cabo de 75 Ω e o uso em sistemas de 50 Ω cria descontinuidade de impedância, reflexões e pior controlo de VSWR. Em ligações sensíveis, esse compromisso raramente é aceitável.
Quanto sinal perco em 10 metros de RG-58 a 1 GHz? Usando um valor típico de 36 dB por 100 m, a perda fica perto de 3.6 dB em 10 m. Isso significa que mais de 50% da potência disponível se perde no troço, antes de somar conectores, adaptações e tolerâncias de produção.
Porque é que o mesmo cabo aparece com números diferentes em datasheets? Porque a construção real varia. Material do condutor, espuma ou sólido no dielétrico, qualidade da blindagem, temperatura de ensaio e método de medição afetam o valor. Por isso, tabelas genéricas servem para triagem, mas a decisão final deve sempre ser validada no datasheet da família exata e, se possível, com teste do conjunto terminado.
Vale a pena pedir teste de perda de inserção em todas as montagens? Quando o canal é crítico, sim. Em assemblies RF de produção, combinar continuidade 100% com medição de perda de inserção e VSWR/perda de retorno reduz muito o risco de escapes. Em lotes sensíveis, até 1 dB fora da janela já pode ser suficiente para comprometer o desempenho do sistema final.

Fundador & Especialista Técnico
Fundador da WellPCB com mais de 15 anos de experiência em fabrico de PCB e montagem eletrónica. Especialista em processos de produção, gestão de qualidade e otimização da cadeia de fornecimento.
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