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Linha SMT para montagem PCBA com inspeção de pasta de solda antes do reflow
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Montagem PCB

SPI em SMT: Como Definir Limites de Pasta de Solda Sem Criar Falsos Alarmes na PCBA

Hommer ZhaoHommer Zhao30 de abril de 202613 min de leitura
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SPI em SMT é a inspeção 3D da pasta de solda depositada no PCB antes do pick-and-place e do reflow. Mede volume, área, altura e offset para detetar stencil sujo, abertura errada, pressão inadequada ou variação de impressão antes de criar defeitos caros na PCBA.

For more information on industry standards, see printed circuit board and IPC standards.

A pergunta que o SPI deve responder

Este guia é para engenheiros de hardware, equipas NPI, compradores técnicos e responsáveis de qualidade que já enviaram Gerber, BOM, centroid e desenho de stencil para montagem SMT, mas ainda não definiram como a pasta de solda será medida antes do reflow. Nesta fase, a pergunta não é "tem SPI?". A pergunta útil é: que defeitos a inspeção 3D precisa apanhar, com que limites, em que componentes e com que plano de reação.

SPI, ou solder paste inspection, mede a deposição de pasta no PCB antes do pick-and-place. A página pública sobre solder paste explica a composição de liga, flux e partículas metálicas; em produção, o valor do SPI está em medir se essa pasta chegou ao pad com volume, área, altura e posição adequados. A página de surface-mount technology ajuda a contextualizar por que esse passo acontece antes da colocação automática.

Escrevo isto na perspetiva de fábrica: 15+ anos a rever NPI, problemas de stencil, perfil de reflow, BGA e séries low-volume/high-mix para clientes industriais, médicos e automóveis. O objetivo é transformar SPI de uma caixa marcada na RFQ num critério de processo que reduz retrabalho.

"SPI não é uma fotografia bonita da pasta. É um travão antes do reflow. Se a equipa mede 82% de volume num pad BGA crítico e deixa passar sem regra de reação, a máquina está a gerar dados, não controlo." — Hommer Zhao, Fundador & Especialista Técnico

O que o SPI mede na prática

Uma máquina SPI 3D projeta luz ou laser sobre a pasta impressa e reconstrói a geometria do depósito. O resultado costuma incluir quatro métricas: volume, área, altura e offset. Cada métrica aponta para uma causa diferente.

  • **Volume**: quantidade total de pasta no pad. Baixo volume pode criar solda insuficiente; volume excessivo pode criar bridges, solder balls ou voiding.
  • **Área**: cobertura no pad. Área reduzida pode indicar abertura de stencil parcialmente bloqueada, limpeza fraca ou separação inadequada.
  • **Altura**: espessura do depósito. Altura fora do esperado pode indicar pressão de rodo, velocidade de impressão, snap-off ou stencil deformado.
  • **Offset**: deslocamento entre depósito e pad. Offset alto pode vir de alinhamento, fiduciais, PCB empenado ou fixação deficiente.

As normas ajudam a definir linguagem comum. IPC publica referências usadas por fábricas eletrónicas; no contrato técnico, IPC-J-STD-001 enquadra requisitos de montagem soldada, IPC-A-610 enquadra aceitabilidade visual da PCBA depois do processo, e IPC-7525 é uma referência prática para design de stencil. Para sistemas com gestão de qualidade mais formal, ISO 9001 também aparece como estrutura de processo, mas não substitui limites de SPI por componente.


Cenário de fábrica: quando o limite certo poupou retrabalho

Num NPI de 320 PCBAs para um módulo de controlo industrial, a placa tinha 1 BGA de 0,5 mm, 6 QFNs, passivos 0402, acabamento ENIG e stencil de 100 microns. A primeira impressão passou visualmente. O operador via pasta nos pads, os fiduciais estavam bons e o pick-and-place não acusava desvio. O SPI, porém, mostrou uma família de pads QFN com volume entre 58% e 66% em 17 placas seguidas.

A equipa poderia ter relaxado o limite para evitar paragens. Em vez disso, separou as 17 placas, limpou o stencil, mediu a abertura ao microscópio e encontrou contaminação parcial numa janela térmica. Após limpeza húmida e revisão do under-stencil wipe a cada 5 impressões, o volume voltou para 88% a 106% em 40 impressões consecutivas. A AOI pós-reflow não encontrou opens nessa família, e o raio-X por amostragem manteve voiding no QFN abaixo do critério interno de 25% de área por pad térmico.

O dado que decidiu a ação não foi "SPI falhou". Foi a combinação: mesmo componente, mesma abertura, 17 ocorrências consecutivas, volume abaixo de 70%, e correção confirmada em 40 impressões. Sem esse padrão, a fábrica teria visto o defeito apenas depois do reflow, quando retrabalho em QFN já exige calor extra e risco para pads.

"Quando vejo uma sequência de 10 ou 20 impressões com o mesmo pad baixo, trato como causa de stencil ou limpeza, não como azar. O SPI fica forte quando a equipa olha para tendência, não só para vermelho e verde." — Hommer Zhao, Fundador & Especialista Técnico

Limites de SPI: ponto de partida, não dogma

Muitas linhas começam com volume de 70% a 130% do alvo e offset máximo perto de 25% da menor dimensão do pad. Esses valores servem para arrancar, mas não devem ser copiados para todos os produtos. Uma abertura de stencil para 0603 tem margem diferente de uma abertura para BGA 0,4 mm, LGA, QFN térmico ou conector fine-pitch.

O primeiro ajuste deve separar componentes por risco. Pads de passivos grandes podem tolerar variação sem criar falha funcional. BGAs, QFNs, microcontroladores fine-pitch, LEDs térmicos e conectores de alta densidade pedem limites mais fechados e reação mais rápida. Para protótipo crítico, faz sentido rever imagens SPI da primeira peça antes de libertar o resto do lote.

O segundo ajuste deve ligar SPI ao design de stencil SMT. Se o area ratio da abertura é fraco, a pasta pode libertar mal mesmo com impressora calibrada. Se o stencil usa step-down local, a altura esperada não é igual em toda a placa. Se há via-in-pad aberta ou pad térmico sem janela segmentada, o volume medido pode parecer alto e ainda assim criar voiding depois.

O terceiro ajuste é estatístico. Para produção repetitiva, peça Cpk por família crítica. Um Cpk acima de 1,33 costuma indicar processo com margem razoável; abaixo de 1,00 pede investigação antes de aumentar volume. Mas Cpk sem contexto engana. Uma família com 500 pads 0603 pode parecer estável e esconder 8 pads de QFN no limite.


Tabela de decisão para parâmetros SPI

Métrica SPIValor inicial típicoQuando apertarRisco se ignorarEvidência a pedirAção de reação
Volume70%-130% do alvoBGA 0,4-0,5 mm, QFN, LGA, Classe 3Opens, bridges, voiding, solda fracaHistograma por componente críticoLimpar stencil, rever abertura, parar lote
Área70%-130% do alvoPads pequenos e stencil com area ratio baixoDepósito incompleto ou assimétricoImagem 3D e tendência por aberturaAjustar limpeza e separação PCB-stencil
AlturaPróxima da espessura real do stencilStep stencil, 80-100 microns, 0201/0402Transferência instável e variação de volumeMedição por zona e por stepRever pressão, rodo e stencil
OffsetMenos de 25% da dimensão do padFine-pitch abaixo de 0,5 mmBridges, tombstoning, junta deslocadaOffset X/Y por fiducialRever alinhamento, fixação e fiduciais
TendênciaSem deriva progressiva em 10-20 impressõesSérie com limpeza espaçadaFalha repetitiva depois de reflowGráfico por tempo e número de placaReduzir intervalo de limpeza
CpkAlvo inicial acima de 1,33Série repetitiva ou produto críticoProcesso sem margem realCpk por família, não só média geralAjustar processo antes de volume

Esta tabela deve entrar na RFQ quando a inspeção AOI e o teste final não são suficientes para explicar a origem dos defeitos. SPI apanha o defeito na etapa em que ele nasce; AOI e teste funcional confirmam consequência.


Onde o SPI falha se for mal configurado

O erro mais comum é usar limites demasiado estreitos em todos os pads. A linha para, o operador passa a aceitar exceções manualmente, e o sistema perde autoridade. O segundo erro é usar limites largos para evitar paragens. Nesse caso, a máquina deixa passar a variação que deveria bloquear. Os dois extremos criam a mesma consequência: dados que ninguém respeita.

Outro problema aparece quando o SPI não conversa com o processo de limpeza do stencil. Se a linha limpa por tempo fixo, mas a placa tem aberturas muito diferentes, os pads críticos podem pedir limpeza mais frequente. Em low-volume/high-mix, mudar de produto sem rever stencil, pasta e suporte do PCB aumenta a variação logo nas primeiras placas.

Também há risco de interpretação em pads térmicos. Um QFN pode ter volume correto no total, mas distribuição errada entre janelas. Depois do reflow, o defeito aparece como voiding, inclinação ou solda irregular. A resposta correta pode estar no desenho das aberturas e no guia de solder paste em SMT, não no limite global de volume.

"Se o operador precisa ignorar 30 alarmes por placa, o processo está a treinar a equipa para desconfiar do SPI. Eu prefiro 5 alarmes bem escolhidos que bloqueiam defeito real a 50 alarmes que viram ruído." — Hommer Zhao, Fundador & Especialista Técnico

Como escrever a especificação na RFQ

Uma boa especificação de SPI deve ser curta, mensurável e ligada a risco. Em vez de escrever "SPI 100%", escreva que a primeira peça deve ter relatório SPI arquivado, que BGAs e QFNs exigem análise de volume e offset, que alterações de stencil ou pasta exigem nova aprovação, e que o fornecedor deve definir uma regra de paragem para tendências repetitivas.

Para produtos IPC Classe 3, use IPC-J-STD-001 e IPC-A-610 como base de linguagem, mas traduza a exigência para medições antes do reflow. A norma de aceitabilidade depois da soldadura não substitui controlo de impressão. Se a PCBA usa BGA, combine SPI com inspeção por raio-X. Se o produto terá teste elétrico, alinhe os dados de SPI com teste PCBA, ICT, flying probe ou teste funcional para fechar causa e efeito.

Um texto de RFQ pode ficar assim: "Fornecedor deve executar SPI 3D em 100% das PCBAs durante NPI e nas primeiras 30 placas de cada lote de série. Para BGA, QFN e fine-pitch abaixo de 0,5 mm, reportar volume, área, altura e offset. Alarmes repetidos em mais de 3 placas consecutivas exigem paragem, limpeza de stencil e nova primeira peça. Relatório deve incluir calibração da máquina, versão do programa e plano de reação."


Checklist de auditoria ao fornecedor

  1. Confirmar se a máquina SPI é 2D ou 3D e se mede volume real.
  2. Pedir relatório da primeira peça com imagens dos componentes críticos.
  3. Verificar se os limites mudam por componente, package e espessura de stencil.
  4. Pedir intervalo de limpeza do stencil e critério para limpeza antecipada.
  5. Confirmar calibração e verificação diária da máquina SPI.
  6. Pedir Cpk ou tendência para famílias críticas em séries repetitivas.
  7. Verificar se alarmes repetidos bloqueiam lote ou dependem só do operador.
  8. Ligar falhas de AOI, raio-X e teste funcional aos dados SPI da mesma placa.

Para PCB assembly personalizada, esta auditoria é especialmente útil em NPI. Uma decisão tomada na primeira impressão pode evitar retrabalho no lote inteiro.


FAQ

Que limites de SPI devo usar para pasta de solda em SMT?

Um ponto de partida comum é controlar volume entre 70% e 130% do alvo, offset abaixo de 25% da dimensão do pad e altura conforme a espessura real do stencil. Para BGA, QFN e 0201, valide limites por FAI, raio-X e defeitos reais, não apenas por valor de catálogo.

SPI substitui AOI ou raio-X na PCBA?

Não. SPI mede a pasta antes do reflow; AOI avalia colocação e solda visível depois; raio-X cobre juntas escondidas como BGA e QFN. Uma linha crítica pode usar SPI 100%, AOI 100% e raio-X por amostragem ou por requisito Classe 3.

Qual Cpk é aceitável para SPI em produção SMT?

Para características estáveis, muitas equipas usam Cpk acima de 1,33 como alvo inicial e investigam valores abaixo de 1,00. O número deve ser aplicado por família de abertura e componente crítico, porque um 0603 e um BGA 0,4 mm não têm a mesma margem.

SPI reduz defeitos de BGA?

SPI reduz causas ligadas a volume baixo, volume alto, offset e stencil contaminado antes de o BGA ser colocado. Não resolve warpage, MSL fora de controlo ou perfil de reflow errado. Para BGA, combine SPI com raio-X e requisitos IPC-J-STD-001 e IPC-A-610.

Preciso de SPI em protótipos de 5 a 20 placas?

Depende do risco. Para placas simples com 0603/0805, inspeção manual e AOI podem bastar. Para protótipos com BGA, QFN, 0,4 mm pitch ou componentes caros, SPI na primeira peça evita retrabalho que pode custar mais do que a inspeção.

Que dados devo pedir ao fornecedor sobre SPI?

Peça relatório por lote com volume, área, altura, offset, taxa de alarmes, regras de limpeza do stencil, calibração da máquina e ações corretivas. Para NPI, peça também histogramas por componente crítico e evidência de validação em pelo menos 30 a 50 impressões quando houver série.


Próximo passo

Se a sua PCBA tem BGA, QFN, fine-pitch, Classe 3 ou histórico de solda insuficiente, envie Gerber, BOM, centroid e desenho de stencil para a equipa da PCB Portugal. Podemos rever a janela de SPI, stencil, pasta e plano de inspeção antes de iniciar a produção. Fale connosco para rever o seu projeto.

Hommer Zhao

Fundador & Especialista Técnico

Fundador da WellPCB com mais de 15 anos de experiência em fabrico de PCB e montagem eletrónica. Especialista em processos de produção, gestão de qualidade e otimização da cadeia de fornecimento.

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“Em mais de 20 anos de experiência em fabricação, aprendemos que o controle de qualidade ao nível do componente determina 80% da confiabilidade em campo. Cada decisão de especificação tomada hoje afeta os custos de garantia em três anos.”

— Hommer Zhao, Fundador & CEO, WIRINGO